Você que está lendo essa postagem pode achar estranha a primeira linha. “Infiel, eu?!”
Deixa eu te contextualizar sobre esta saudação.
O ano de 2020 foi bem diferente para todo mundo. Tivemos um lockdown, alguns trabalhadores passaram a ter a opção de trabalhar em casa e muitas pessoas, nesta situação, foram acometidas de alguns pensamentos não muito saudáveis, entre eles, o medo de parecer improdutivo por estar em casa.
Virou uma obsessão para muitos ser produtivo, ultrapassar limites, estar sempre estudando algo, fazendo um curso e, qualquer coisa diferente desse comportamento poderia ser enquadrado como "estar improdutivo". Ouvimos muitas frases como: "Hoje não fiz nada, só fiz ler um livro." ou "Produzi pouco hoje pois passei a manhã inteira vendo TV."
Virou uma obsessão para muitos ser produtivo, ultrapassar limites, estar sempre estudando algo, fazendo um curso e, qualquer coisa diferente desse comportamento poderia ser enquadrado como "estar improdutivo". Ouvimos muitas frases como: "Hoje não fiz nada, só fiz ler um livro." ou "Produzi pouco hoje pois passei a manhã inteira vendo TV."
Lembro que em 2020 eu estava em uma escola e fomos pegos pelo lockdown. A princípio só seriam 5 dias (18/03/20 a 22/03/20) mas ainda durante estes cinco dias anunciaram que seriam 15 dias. O resto vocês já sabem.
Para quem produz conteúdo, foi um momento para alavancar sua presença digital e alcançar o maior número de profissionais em cada área.
E esse movimento não aconteceu somente na educação. Em todas as profissões que adotaram o momento remoto ou home office, a busca pela produtividade online começou pois, infelizmente, a maioria das organizações ainda avalia a performance do colaborador pelo tempo que ele passa dentro dela.
Nesta necessidade de mostrar "produtividade" muitos trabalhadores entraram num círculo vicioso de ocupar todo o tempo que tinham por "estar em casa" com cursos e outras atividades. Foram certificados tirados, livros lidos, metas superadas ao custo de momentos para entender a situação que estavam passando, o que o mundo estava passando e, o mais importante, reservar um tempo para si mesmo.
Em 2009 eu li O Ócio Produtivo de Domenico De Masi que me fez pensar nos momentos que estamos desligados de tarefas intelectuais e que, nestes momentos, temos ideias novas sobre alguns problemas que estamos enfrentando.
Dez ano depois, voltei a ter um encontro com este tema quando li A Técnica Pomodoro de Francesco Cirillo (25 minutos de foco na atividade e 5 minutos de intervalo até fechar um ciclo de 4 pomodoros) e vi o quanto ela estava alinhada com um curso que eu tinha começado em 2018 mas que não tinha concluído que foi o Aprendendo a Aprender (Learning how to learn) que me chamou a atenção sobre o Modo Focado e o Modo Difuso (Posso traduzir como Pomodoro e intervalo?)
E como chegamos ao Pomodoro Improdutivo e ao termo infiel?
Para produzirmos bem temos que ter momentos de ócio, modos difusos ou intervalos em que não pensamos nos problemas que estamos resolvendo e, sim, nos concentramos em atividades diferentes (pode ser um atividade física, lavar pratos, meditar ou ler algumas páginas de um livro de ficção). O importante é interrompermos aquele momento de foco, que depois você vai ajustando para encaixar atividades dentro destes momentos de foco de modo a não parar na metade delas (Pomodoro, né?) e vai puxando as atividades dentro das suas possibilidades de executá-las (Work In Progress - Metodologias ágeis?), otimizando a execução e definindo as prioridades.
Eu, hoje, faço isso dentro de um momento de 25 a 30 minutos (Pomodoro) que é reservado para mim com atividades como meditação. Este momento pode parecer improdutivo, mas me ajuda um bocado a aliviar a ansiedade, estresse e a focar no momento presente e aproveitá-lo.
Quando as pessoas não querem respeitar esses momentos de improdutividade, eu as chamo de Infiéis!
Começou assim numa live da Twitch (twitch.tv/anaclaudaplima) da qual participo onde eu fico “bagunçando” o sprint de produtividade. Depois comecei a deixar algumas dicas de produtividade para termos mais tempo para a improdutividade (Claro! Sou o Mestre da IMProdutividae). Dessa brincadeira eu resolvi postar aqui, em um blog. Quem sabe ajude mais alguém a deixar de ser “Infiel”.
Abraços e até a próxima postagem!
